Veritas projeta que M&A no mercado de assessoria deve bater R$ 160 bilhões em AUC/AUM transacionados
13 de agosto de 2026 · 4 min de leitura

O mercado brasileiro de investimentos caminha para encerrar 2026 com aproximadamente R$ 160 bilhões em ativos sob custódia ou gestão envolvidos em operações de M&A, segundo projeção da Veritas.
A estimativa considera as transações identificadas no levantamento da empresa, que acompanha fusões, aquisições e combinações estratégicas envolvendo assessorias, consultorias, gestoras e plataformas de wealth management.
É importante observar que o número não representa o valor financeiro pago nas aquisições. Como os valores das transações raramente são divulgados, o estudo utiliza o AUC e o AUM das empresas envolvidas para dimensionar o porte das operações e a quantidade de ativos impactada pela consolidação.
Diante do ritmo observado e das operações ainda em negociação, a Veritas projeta que esse volume acumulado deve alcançar R$ 160 bilhões até o encerramento de 2026.

Consolidação deixou de ser um movimento pontual
O avanço do M&A não pode ser explicado apenas pelo interesse das grandes empresas em aumentar a custódia.
As operações mais recentes mostram que o mercado passou a utilizar aquisições e fusões para acelerar movimentos que levariam anos para ser construídos organicamente: entrada em novas regiões, incorporação de equipes, acesso a diferentes perfis de clientes, expansão de produtos, aumento da eficiência e fortalecimento da capacidade de distribuição.
Em muitos casos, a custódia combinada é uma consequência visível da transação, mas não necessariamente sua principal motivação.
A lógica está na complementaridade. Uma empresa pode ter maior capacidade comercial, enquanto a outra possui presença regional consolidada. Uma pode oferecer estrutura, tecnologia e governança, enquanto a outra mantém relacionamento próximo com uma base relevante de clientes.
Quando essas competências se combinam, o M&A deixa de representar apenas uma soma de ativos e passa a funcionar como um acelerador estratégico.
O mercado está aprendendo a comprar capacidades
O estudo da Veritas também aponta uma mudança no que os compradores procuram.
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AUC e AUM continuam relevantes, mas não são suficientes para determinar a atratividade ou o valor de uma operação. Qualidade e previsibilidade da receita, perfil da carteira, eficiência operacional, retenção de clientes, capacidade comercial, liderança, governança e cultura passaram a ocupar uma posição mais importante nas análises.
O setor está aprendendo que comprar uma empresa significa também incorporar pessoas, processos, relacionamentos e conhecimento.
Isso explica por que duas operações com custódias semelhantes podem receber avaliações muito diferentes. Uma empresa com receitas recorrentes, boa margem, baixa dependência de profissionais específicos e controles bem estruturados tende a apresentar uma tese mais consistente do que uma operação maior, mas com riscos de concentração, fragilidades contratuais ou pouca organização societária.
A custódia coloca a empresa no radar. A qualidade do negócio determina se a transação avança e em quais condições.
Escala não garante criação de valor
O aumento do número de operações também traz uma questão importante: nem todo M&A cria valor.
A transação pode aumentar rapidamente a custódia, ampliar a presença geográfica e produzir uma narrativa forte para o mercado. No entanto, o resultado real será medido depois do fechamento, quando as empresas precisarem integrar lideranças, equipes, culturas, sistemas e modelos comerciais.
Esse é um dos principais desafios do novo ciclo de consolidação.
Uma integração mal planejada pode provocar perda de profissionais, saída de clientes, conflitos entre sócios e redução das sinergias projetadas. Por isso, a preparação precisa começar durante a negociação, e não depois da assinatura.
Antes do fechamento, as empresas devem definir como ficará a liderança, quais decisões permanecerão descentralizadas, como serão harmonizados os incentivos e qual cultura orientará a organização combinada.
Também é fundamental que exista confiança entre os líderes. Estratégia, preço e estrutura societária podem ser negociados, mas a ausência de empatia e alinhamento entre as pessoas responsáveis pela integração pode comprometer uma operação financeiramente consistente.
M&A começa antes da proposta
Para os escritórios que consideram uma venda, fusão ou aquisição nos próximos anos, o movimento atual deixa uma mensagem clara: uma transação não começa quando aparece um potencial comprador.
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Contratos, governança, estrutura societária, compliance, controles financeiros, indicadores, política de partnership e documentação trabalhista influenciam diretamente a percepção de risco e o valor atribuído à empresa.
Durante a diligência, o histórico do negócio entra em análise. Fragilidades que foram adiadas aparecem, enquanto decisões tomadas com antecedência podem fortalecer a posição dos sócios na negociação.
A preparação também é relevante para quem pretende comprar. Crescer por aquisição exige capacidade financeira, estrutura de integração e clareza sobre a tese estratégica. Sem esses elementos, o comprador corre o risco de adquirir custódia sem conseguir preservar as relações e competências que sustentavam aquela base.
O que esperar dos próximos movimentos
A projeção de R$ 160 bilhões em AUC/AUM transacionados reforça que o M&A já se tornou um dos principais vetores de transformação do mercado brasileiro de investimentos.
A tendência é que novas operações avancem não apenas entre grandes assessorias, mas também em consultorias, gestoras, estruturas regionais e empresas especializadas. Algumas buscarão escala. Outras procurarão liquidez, sucessão, novos canais de distribuição ou acesso a competências que ainda não possuem.
Ao mesmo tempo, o mercado tende a se tornar mais seletivo. O simples crescimento da custódia não será suficiente para sustentar valuations ou justificar uma combinação.
As transações mais consistentes serão aquelas capazes de responder a uma pergunta central: por que essas empresas podem construir mais valor juntas do que separadas?
Os R$ 160 bilhões projetados mostram o tamanho do movimento. Mas o sucesso desse novo ciclo dependerá menos do volume anunciado e mais da qualidade das empresas que serão construídas depois de cada operação.
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Sobre o autor
Anderson Timm
Fundador e CEO da Veritas
Fundador e CEO da Veritas, acompanha estratégia, M&A, valuation e wealth management no mercado de investimentos.
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