Multimodelo deixa de ser tendência e passa a ocupar o centro da estratégia das plataformas de investimento

19 de junho de 2026 · 3 min de leitura

A defesa da XP Inc. pela coexistência entre modelo transacional, fee fixo, assessoria e consultoria reforça uma leitura que a Veritas sustenta há anos: o futuro do mercado financeiro não será definido por um único modelo de atendimento ou remuneração.
Já falávamos sobre isso há algum tempo.
O avanço do multimodelo no mercado financeiro brasileiro deixou de ser uma discussão conceitual e passou a ocupar o centro da estratégia das grandes plataformas de investimento.
O movimento da XP Inc., ao defender a coexistência entre modelo transacional e fee fixo, assessoria e consultoria, confirma uma leitura que a Veritas vem sustentando há anos: o mercado não será organizado por uma única forma de atendimento, nem por uma única lógica de remuneração.
A maturidade do investidor brasileiro exige algo mais sofisticado do que a disputa entre “comissão” e “taxa fixa”.
Em entrevista à Infomoney, Thiago Maffra, CEO da XP Inc., resumiu bem essa mudança de perspectiva:
"Não caiam nessa narrativa de que o modelo A é melhor do que o modelo B, porque isso não existe."
A frase desloca a discussão do campo ideológico para o campo da adequação.
Não existe um modelo universalmente superior. Existe o modelo mais aderente ao momento, ao patrimônio, ao grau de autonomia e ao nível de complexidade de cada cliente.
Existem investidores que buscam execução, agilidade e acesso a produtos. Outros valorizam acompanhamento recorrente, previsibilidade de custos e proximidade na tomada de decisão. Há também um perfil que demanda uma visão patrimonial mais ampla, com consolidação de ativos dentro e fora da instituição, planejamento financeiro, sucessório, tributário e uma leitura completa da vida financeira.
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Esse ponto também aparece em outra fala de Maffra:
"Imagina que você tem conta de investimento em três bancos, quatro bancos — o seu advisor na XP vai olhar todos os seus investimentos dentro e fora, consolidar e fazer um planejamento financeiro em cima de todo esse dinheiro."
Essa é uma mudança relevante.
O debate deixa de estar concentrado apenas em produto, taxa ou remuneração, e passa a envolver a arquitetura de relacionamento entre cliente, assessor, consultor, plataforma e estrutura de planejamento.
Na prática, a estratégia de multimodelo permite que uma plataforma amplie sua capacidade de atendimento, diversifique formatos de remuneração, reduza a dependência de uma única tese comercial e aproxime sua estrutura de serviço da realidade de diferentes perfis de investidores.
Esse movimento vai ao encontro de uma reorganização mais ampla do mercado, em que assessorias, consultorias, gestoras, wealth planning, bankers e estruturas híbridas começam a ocupar espaços complementares.
A competição, que antes já foi centrada em produto ou taxa, passa a ser cada vez mais uma disputa por relacionamento, confiança, governança e capacidade de entregar uma solução integrada.
O que o multimodelo exige das empresas
Para escritórios, consultorias e grupos financeiros, a mensagem é clara: não basta adotar um modelo porque ele está em alta.
É preciso entender:
Qual tese empresarial sustenta o modelo;
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Ver materialQual público ele atende;
Qual estrutura operacional ele exige;
Quais responsabilidades regulatórias ele traz;
Como ele se conecta à governança da empresa;
E como ele será comunicado ao cliente final.
Esse foi, inclusive, um dos temas abordados pela Veritas no ABCVM Summit 2025: o crescimento das estruturas multimodelo e a necessidade de desenhar operações capazes de combinar atendimento, remuneração, governança, compliance e posicionamento de forma coerente.
O multimodelo não deve ser visto como improviso ou simples ampliação de prateleira.
Ele precisa ser desenho de negócio.
E, nesse desenho, as empresas que souberem combinar flexibilidade comercial com governança, clareza regulatória e consistência operacional tendem a construir uma vantagem importante nos próximos ciclos do mercado financeiro.
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